quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Resenha do Artigo: O Diagnóstico em Psiquiatria e Psicanálise

Em suas linhas iniciais, o artigo traz como base uma prática regular que é adotada no Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde um paciente é apresentado para uma entrevista psicanalítica em que os profissionais vão desenvolver possíveis formas de tratamento a partir de prováveis diagnósticos. Para o estudo, apresenta-se ainda a respeito da importância do trabalho conjunto entre a psiquiatria e a psicanálise, áreas de amplo conhecimento, que investigam o psiquismo humano e determinam os fatores relacionados à pessoa, seja através de tratamento medicamentoso (psiquiatria) ou da utilização das psicoterapias que auxiliam nesse processo.

No relato de caso, a paciente é intitulada Maria, que já passou por cerca de vinte internações com quadro de apatia, mutismo e recusa de ingestão alimentar, sendo a última motivada pela falta de alimentação, por não manter hábitos higiênicos, não evacuar e nem urinar. Tratada com benzodiazepínicos, a paciente recebeu alta do último ocorrido após quatro semanas. Durante esse tempo que necessitava de tratamento, sempre com o mesmo quadro, era submetida a uma média de cinco seções de eletroconvulsoterapia, a única terapêutica que a fazia sair do quadro estuporoso.

Diante dessa vertente, de acordo com a leitura, é possível encontrar diferentes diagnósticos: o sindrômico, indicado pelo médico, é de síndrome catatônica, já na sessão clínica seria mais exato se definisse como síndrome estuporosa; o diagnóstico nosológico (CID10), transtorno depressivo recorrente com sintomas psicóticos; nos termos da DSM-IV, transtorno depressivo sem sintomas psicóticos; e o diagnóstico diferencial - menos provável - esquizofrenia catatônica. Mas porque tantos diagnósticos? O objetivo dessa distinção estaria em orientar a clínica mais imediata, no sentido de sistematizar. É nesse caso que podemos observar que a psiquiatria e a psicanálise vão além dos fenômenos: “A psicanálise procura dar a psiquiatria a base psicológica de que esta carece”. Porém, para ambos, é de fundamental importância que o profissional da saúde faça uma anamnese com o paciente, pois é a partir daí que poderá analisar e planejar uma conduta terapêutica adequada.

Fica claro a importância do diagnóstico na conduta terapêutica em saúde mental, no entanto sabemos que não é apenas isso que auxilia no tratamento, mas a forma que o profissional lida com o paciente, que fará diferença em todo o percurso patológico. A psiquiatria e psicanálise, no âmbito hospitalar ou fora dele, devem estar juntas, pois uma sempre complementará a outra, seja intervindo sobre as situações mais agudas com medicamentos e fazendo os devidos encaminhamentos, ou focando no paciente e no seu bem-estar.


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